Tecnologia da informação gera mais segurança e qualidade aos pacientes

Explorar a experiência com o paciente e usá-la como ferramenta de negócios foi tema central do CISS – Congresso Internacional de Serviços de Saúde, evento oficial do Hospitalar 2019, um dos mais conceituados no segmento da saúde nas Américas, realizado pela International Society for Quality in Health Care (ISQua) e a Organização Nacional de Acreditação Hospitalar (ONA).

O CISS, que aconteceu nos dias 22 e 23 de maio no Expo Center Norte em São Paulo e reuniu palestrantes altamente credenciados, teve o apoio da Seguros Unimed como empresa patrocinadora.

As práticas inovadoras vivenciadas em outros países serviram de referência para inspirar a implementação de novos projetos que visam provocar uma mudança com significativa relevância no âmbito da saúde global. André Van Der Veen, diretor geral e um dos fundadores da dPI, empresa holandesa de consultoria que atua no segmento de cuidados com a saúde, compartilhou sua expertise com o Projeto Piloto Reflexo, um dispositivo clínico inteligente que atua em 11 hospitais brasileiros – tanto públicos quanto privados – com a intenção de captar informações para traçar futuras análises e ter uma maior rede de dados para focar na qualidade de atendimento e segurança dos pacientes.

A proposta é evitar eventos adversos e desfechos ruins. Segundo dados, cerca de 10% dos pacientes acabam sofrendo uma assistência não satisfatória e sendo submetidos a casos de infecções e até quedas do leito. É imprescindível acompanhar, também, as taxas de mortalidade e entender se esses casos poderiam ser evitados de alguma forma. “A informação digital pode ser a resposta, sim. É preciso criar uma conscientização e estabelecer metas, além de solicitar feedback e estimular a participação dos profissionais”, explica Van Der Veen.

Para ele, a ferramenta digital tem grande utilidade para mensurar informações importantes das instituições, como mortalidade hospitalar, reinternação não planejada e tempo de estadia prolongado. Tudo isso afeta os custos. “Agregaremos mais se passarmos a escutar e rastrear o paciente. O médico precisa se tornar mais humilde e modesto.  Temos que começar a avaliar a segurança agora e pensar nessa evolução. Com isso, existirá redução nas internações e menos impacto financeiro.”

Carlos Hugo Martínez Martínez, diretor médico, gerente e conselheiro da ASISA Dental, também dividiu seu know-how sobre sua experiência de Morbidade Respiratória Neonatal (MRN) com bebês prematuros, na Espanha. O especialista reforçou a ideia de que todo tipo de busca por métodos não invasivos para uma maior assertividade nos diagnósticos é bem-vinda, e fazer uso de métodos ecográficos e digitais que auxiliem em uma tomada de decisão faz parte do processo de olhar o paciente com mais atenção.  “Recorrer a um maior conhecimento da técnica e não à medicina defensiva. Nosso objetivo no futuro é ter uma saúde mais preditiva. Esse é o caminho”, revela Martínez.

Através do Sistema Transmutal (um estudo realizado na pediatria neonatal) era possível estudar possibilidades de hipertensão e outras patologias em casos de bebês com menos de 20 semanas, além de confiar em pesquisas bem embasadas nos coeficientes orgânicos. Essas informações são fundamentais para corroborar com estatísticas atuais, já que o parto prematuro mata um bebê a cada 30 segundos. “Acredito que a digitalização é uma boa ferramenta para permitir que os doentes tenham uma taxa menor de mortalidade”, concluiu.

Ao contrário da medicina preventiva, o grande entendimento é procurar por diversas tecnologias para traçar a predisposição e então escolher o que deve ser feito. Adotar essa nova atitude é fundamental para minimizar a incidência de doenças, reduzir custos com medicina assistencial e, consequentemente, aumentar a qualidade de vida dos pacientes.

 

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