6º CONAHP – Cong. Nacional de Hospitais Privados

Combate ao desperdício clínico é essencial para a saúde

O desperdício clínico pode representar um problema tão grave, e de consequências tão daninhas, quanto o descarte desnecessário de alimentos. Esse foi um dos temas abordados no último dia 7 (quarta-feira), pelo 6º CONAHP (Congresso Nacional de Hospitais Privados), realizado em São Paulo. “O elevado custo da saúde no Brasil passa inclusive pelo desperdício de medicamentos”, afirmou Eduardo Amaro, diretor do Hospital e Maternidade Santa Joana e presidente do Conselho da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados). O diagnóstico de Amaro é compartilhado por Margaret Wilson, diretoria médica e vice-presidente sênior da UnitedHealthcare Global. “Esse é um desafio que temos que enfrentar tanto no Brasil como nos Estados Unidos e em outras regiões do mundo”, diz a médica.

Amaro e Wilson participaram da sessão plenária “O papel da medicina baseada em evidências eliminando o desperdício clínico e melhorando os resultados”. Embora menos visível para a maioria da população, trata-se de uma questão de importância fundamental. “O desperdício é um problema mundial, não apenas do Brasil. E ele ocorre em toda a cadeia. Por isso, temos que agir de maneira ampla, procurando minimizá-lo. É um mal que no Brasil não afeta mais uma região do que outra, mas ocorre de uma maneira geral”, afirma o presidente do Conselho da Anahp.

Não há qualquer exagero na avaliação de Amaro. O elevado custo da saúde no Brasil pode ser notado não apenas pelo desperdício clínico. No que diz respeito aos medicamentos, ele representa 20% dos custos de saúde. São considerados desperdícios o descarte de medicamentos não utilizados, a não aderência a tratamentos pelos pacientes, o não uso de genéricos, erros de medicação, bem como falhas de suprimentos para hospitais.

Há ainda os chamados eventos adversos. São aqueles relacionados ao erro médico e que estão igualmente entre as principais causas de desperdício no sistema de saúde. Outros fatores ficam por conta da indicação excessiva de exames ou de tratamentos, da ineficiência na assistência médica e até mesmo da variação exagerada de um mesmo tratamento entre instituições. Wilson frisa que o problema, quando se fala em sistema de saúde, chega a 1/3.  “E isso (o desperdício) impacta a vida das pessoas. E as pessoas envelhecem, as doenças clínicas aumentam e os pacientes exigem mais serviços”, afirmou.

Wilson atua em assistência médica desde 1983. Realizou trabalhos na África, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Há dez anos iniciou sua jornada na UnitedHealthcare, nos Estados Unidos, onde participou do desenvolvimento de um modelo de excelência de gestão médica. Hoje, na UnitedHealthcare Global, executa sua expertise em ambiente global.

Evidências científicas

Outro espaço da plenária foi reservado ao papel da medicina baseada em evidências científicas, o conjunto de informações utilizadas para confirmar ou negar uma teoria ou hipótese que existirá apenas por meio de pesquisas. “Precisamos ter uma medicina baseada em evidência. Muita gente ainda faz tratamento sem ser baseado em evidência clínica. E isso é um problema sério”, alertou o diretor do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Eduardo-Amaro-Conahp

Já de acordo com Wilson, a medicina baseada na evidência científica agrega valor ao sistema. Porém, pelo que ela observou em seus trabalhos por vários países, ainda há muitas barreiras culturais e linguísticas. “Temos que superar essas barreiras. Temos a necessidade de ter dados analisados, técnicas de informação, dados analíticos. Também devemos focar em um modelo de qualidade, que nos leve a bons resultados”, afirmou.

Amaro apontou a necessidade de uma preocupação voltada para a melhoria da gestão da saúde. Atualmente, segundo ele, a Anahp procura fazer uma interação que leve as melhores práticas também para os hospitais públicos, para que haja uma melhora nesse quesito. Um dos exemplos dessa parceria relaciona-se ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), desenvolvido para colaborar com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa é financiado com recursos de isenção fiscal (COFINS e cota patronal do INSS), concedida aos hospitais filantrópicos de excelência reconhecidos pelo Ministério da Saúde. “Percebo que começa a haver uma interação entre setor público e privado. Já há, inclusive, hospitais do Proadi atuando na parte de infecções com resultados importantes. Acho que temos uma grande avenida para evoluir nesse quesito da parceria entre setor público e privado no Brasil”, afirmou Amaro.

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